Tâmara, dedo de luz

 

As tâmaras podem ser consideradas um alimento quase ideal, fornecendo uma ampla gama de nutrientes essenciais.

São uma boa fonte de potássio na dieta, assim como um ingrediente útil nas formulações hidratantes para os cosméticos. Actualmente, o acelerado ritmo de vida diário a que os indivíduos estão sujeitos resulta em elevados níveis de stress e reduzidos níveis de energia.

Para minimizar esta situação, o tipo de alimentos ingeridos deve ser seleccionado de acordo com o seu valor nutricional. Ideal para repor os níveis de açúcar e de energia indispensáveis, a tâmara é uma fruta saborosa, rica em açúcares e muito utilizada na produção de licores e geleias, além de ser amplamente aplicada na fabricação de xaropes.

Este alimento provém da palmeira tamareira, que em grego tem a designação de Phoenix. O nome que ainda hoje é dado ao fruto – Dactylifera – vem da palavra grega dactylos, que significa dedos. Em árabe, a palavra tâmara significa dedo de luz (douglat nour), devido à forma e à transparência luminosa dos frutos da tamareira.

A par destas e de outras curiosidades que giram em torno deste fruto, o seu interesse reside fundamentalmente nas propriedades nutricionais e cosméticas e, por consequência, nos benefícios que traz para a saúde.

A tâmara na antiguidade

As tâmaras têm sido um alimento básico no Médio Oriente desde há milhares de anos. Acredita-se que tiveram origem no Golfo Pérsico, e que têm sido cultivadas desde os tempos antigos da Mesopotâmia, na pré-história do Egipto, possivelmente já em 4000 a.C. Existem também evidências arqueológicas do cultivo da tâmara no leste da Arábia em 6000 a.C.

Mais tarde, os árabes trouxeram as tâmaras para o Sul e para o Sudoeste da Ásia, Norte de África, Espanha e Itália. Finalmente, as tâmaras foram introduzidas no México e na Califórnia pelos espanhóis em 1765. Actualmente, os países asiáticos e africanos, sobretudo o Egipto, a Arábia Saudita, o Paquistão, o Iraque e países vizinhos, produzem, em conjunto, cerca de 98% das tâmaras do mundo.

Os Estados Unidos, a Espanha e o México produzem o restante. As tâmaras são um cultivo de subsistência de extrema importância em quase todas as regiões desérticas. Para milhões de pessoas constituem um importante elemento nutricional que contribui para a segurança alimentar, e são também parte vital da cultura e da agrobiodiversidade das populações locais.

A importância da tâmara na vida do deserto, devido à escassez de alimentos, levou a que este fruto fosse considerado como o alimento perfeito na sobrevivência dos povos que viviam nos desertos, os chamados “Beduínos”.

Diz-se que um beduíno resiste três dias de marcha com uma tâmara: “No primeiro dia come a pele, no segundo dia o fruto e no terceiro o caroço”. Por isso, naqueles locais as tamareiras são objecto de veneração. Simbolizam a união entre o céu e a terra, e a sua presença junto às casas é sinal de hospitalidade.

Variedades

O teor de humidade e os teores de açúcares solúveis dos frutos, quando atingem o estádio final de amadurecimento, permitem classificar as tâmaras em três categorias: tâmaras moles, tâmaras semi–secas e tâmaras secas. Independente da variedade, quando a tâmara atinge o final do amadurecimento, mais de 3/4 da sua composição é constituída pelos açúcares solúveis.

Já foi constatado que as tâmaras moles contêm muito pouco ou nenhum açúcar não redutor (sacarose); as tâmaras semi-secas possuem em torno de 1/4 de açúcares não redutores e 3/4 de açúcares redutores (frutose e glicose); e as tâmaras secas apresentam aproximadamente 1/3 de açúcares não redutores e 2/3 de açúcares redutores.

Utilização na alimentação

As tâmaras podem ser ingeridas ao natural ou recheadas com amêndoas, nozes, calda de laranja, casca de limão, entre outros recheios. Este fruto pode também ser cortado e utilizado numa variedade de pratos doces e salgados. Nos EUA é muito popular um bolo feito à base de tâmaras e de nozes.

Outras inovações na aplicação deste fruto à alimentação incluem: tâmaras cobertas de chocolate e produtos como espumantes à base do sumo da tâmara, uma versão doce e não alcoólica muito apreciada em alguns países islâmicos, nomeadamente para celebrar ocasiões especiais e momentos religiosos, como o Ramadão.

Benefícios nutricionais

A tâmara é muito nutritiva por conter proteínas, açúcar, sais minerais e vitaminas, sobretudo, a vitamina C, que neste fruto existe entre 50 a 100 vezes mais do que na banana, 8 a 17 vezes mais do que na laranja, 75 a 150 vezes mais que nas pêras, e 50 vezes mais do que na maçã.

Uma característica marcante na composição da tâmara é o facto de, para além de muito doce, ser extremamente rica em fibras e uma excelente fonte de potássio, ferro e cálcio.

Hidratos de carbono simples e complexos
Podemos dizer que a tâmara é composta por 72% de hidratos de carbono simples e complexos. Isso faz dela um dos alimentos mais energéticos que se conhecem (274 Kcal por 100 gramas de tâmara seca). Deste modo, são ideais para aqueles que precisam de muita energia, como as crianças, os desportistas, os executivos, entre outros.

Minerais
A tâmara ajuda a manter os níveis de minerais necessários. Os sais minerais desempenham funções vitais no nosso corpo, tais como manter o equilíbrio dos fluidos, controlar a contracção muscular, transportar oxigénio para os músculos e regular o metabolismo energético.

Açúcares Complexos
É uma fruta muito doce. A tâmara fresca contém entre 20% e 36% de açúcar, enquanto as secas possuem entre 55% e 80%. Devido ao seu conteúdo de açúcares complexos, este fruto permite ao organismo um processo de metabolização demorado.

Esta é uma qualidade interessante quando temos que manter um ritmo intenso de esforço físico ou mental por um período longo de tempo (desportos de resistência, provas de longa duração, ou até mesmo um ritmo laboral intenso).

Vitaminas
As tâmaras são também ricas em vitamina B5 (ácido pantoténico), conhecida pelos seus efeitos tranquilizantes. Por isso, há quem designe as tâmaras de “doses naturais anti- stress” pela capacidade que estas têm de proporcionar uma sensação de bem-estar e de relaxamento.

Devido a esta característica, também pode ser interessante comer algumas tâmaras antes de dormir, já que contêm triptófano que estimula a formação de melatonina, de modo a contribuir para um sono tranquilo e evitar a insónia.

Tâmara na cosmética

O valor nutricional deste fruto não se limita à alimentação. De facto, as suas características e riqueza também são tidas em conta no sector da cosmética. No que se refere à nutrição da pele, possui sobretudo propriedades hidratantes e suavizantes.

Para além disso, é composto por uma substancial quantidade de ácido nicotínico (vitamina B3), que contribui para uma circulação sanguínea adequada e uma pele mais saudável.

As sementes deste fruto, presentes em fórmulas de sabonetes ou cremes, proporcionam esfoliações suaves, ao mesmo tempo que removem as células mortas e as impurezas, facilitando a renovação celular e aumentando a oxigenação da pele.

O extracto de tâmara, rico em vitaminas e minerais, pode ser encontrado em cremes nutritivos e revitalizantes para cabelos, uma vez que as suas propriedades hidratantes e nutritivas recuperam volume, força e brilho. Nos cuidados de corpo, o extracto de tâmara é ainda utilizado em fórmulas de cremes refirmantes e leites hidratantes.

Benefícios para a saúde

Muitas das virtudes curativas das tâmaras já eram conhecidas e aproveitadas na antiguidade. Hoje em dia essas propriedades têm sido confirmadas, sendo que grande parte do seu valor se deve à riqueza em celulose e frutose. Ricas em ferro, são aconselhadas para quem padece de alterações hepáticas e anemias.

Devido ao seu alto conteúdo em celulose e outras fibras, são ainda recomendadas em casos de mau funcionamento dos intestinos, uma vez que actuam como um suave laxante.

As tâmaras estimulam o apetite, resultando assim muito benéficas nos transtornos intestinais e estomacais associados à inapetência. Ricas em vitaminas A, B e C, e em minerais como o cálcio, o ferro e o potássio, as tâmaras fortalecem as defesas do organismo face a gripes, viroses e outras infecções, tanto do aparelho respiratório como urinário.

Por último, este fruto é muito rico em potássio, o que ajuda a manter os níveis de pressão sanguínea normais e a diminuir a perda óssea. Como o excesso de potássio é eliminado do corpo, há pouco ou nenhum risco de toxicidade para as pessoas saudáveis, com função renal normal.

No entanto, os indivíduos com função renal prejudicada devem monitorizar a ingestão de potássio porque podem não ser capazes de o eliminar de forma adequada.

Texto: Fernanda Mourinha, formadora e técnica de fisioterapia
Edição: Patrícia Velez Filipe
Fotografia: © Marco Mayer – Fotolia.com
Agradecimentos: 114 Saúde, Lisboa; Eduarda Alves, especialista em nutrição e dietética e directora da Clínica dos Alimentos, Cacém

http://mulher.sapo.pt/bem-estar/saude/tamara-dedo-de-luz-1151809.html

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Ossos, articulações e músculos

O osso é um tecido corporal que muda constantemente e que desempenha várias funções. O esqueleto é o conjunto de todos os ossos. O sistema musculoesquelético é formado pelo esqueleto, músculos, tendões, ligamentos e outros componentes das articulações. O esqueleto dá resistência e estabilidade ao corpo e é uma estrutura de apoio para que os músculos trabalhem e criem o movimento. Os ossos também servem de escudo para proteger os órgãos internos.

Os ossos têm duas formas principais: plana (como os ossos chatos do crânio e das vértebras) e comprida (como o fémur e os ossos do braço). Contudo, a sua estrutura interna é essencialmente a mesma. A parte rígida externa é composta, na sua maioria, por proteínas como o colagénio e por uma substância denominada hidroxiapatite, constituída por cálcio e outros minerais. Esta substância armazena parte do cálcio do organismo e é, em grande medida, a responsável pela resistência dos ossos. A medula é uma substância mole e menos densa que o resto do osso. Está alojada no centro do osso e contém células especializadas na produção de células sanguíneas. Os vasos sanguíneos passam pelo interior dos ossos, enquanto os nervos os circundam.

As articulações são o ponto de união de um ou mais ossos e a sua configuração determina o grau e a direcção do possível movimento. Algumas articulações não têm movimento nos adultos, como as suturas que se encontram entre os ossos planos do crânio. Outras, contudo, permitem um certo grau de mobilidade. É o caso da articulação do ombro, uma junta articulada esférica que permite a rotação interna e externa do braço e os movimentos para a frente, para trás e para os lados. Em contrapartida, as articulações de tipo dobradiça dos cotovelos, dos dedos da mão e do pé permitem apenas dobrar (flexão) e estender (extensão).

Outros componentes das articulações servem de estabilizadores e diminuem o risco de lesões que possam resultar do uso constante. As extremidades ósseas da articulação estão cobertas por cartilagem, um tecido liso, resistente e protector que amortece e diminui a fricção. As articulações também estão providas de um revestimento (membrana sinovial) que, por sua vez, forma a cápsula articular. As células do tecido sinovial produzem um líquido lubrificante (líquido sinovial) que enche a cápsula, contribuindo para diminuir a fricção e facilitar o movimento.

Os músculos são compostos por fibras que têm a propriedade de se contrair. Os músculos esqueléticos, que são os responsáveis pela postura e pelo movimento, estão ligados aos ossos e dispostos em grupos opostos em volta das articulações. É o caso dos músculos que dobram o cotovelo (bicípete), que são equilibrados pelos músculos que os estendem (tricípete).
Os tendões são cordões resistentes de tecido conjuntivo que inserem cada extremidade do músculo ao osso. Os ligamentos são compostos de um tecido semelhante, rodeiam as articulações e unem os ossos entre si. Os ligamentos contribuem para reforçar e estabilizar as articulações, permitindo os movimentos só em certas direcções. As bolsas são cápsulas cheias de líquido que proporcionam um amortecimento adicional entre estruturas adjacentes que, de outro modo, roçariam entre si, ocasionando o desgaste, por exemplo, entre um osso e um ligamento.

Os componentes de uma articulação trabalham conjuntamente para facilitar um movimento equilibrado e que não provoque lesões. Por exemplo, quando se dobra o joelho para dar um passo, os músculos poplíteos, na parte posterior da coxa, contraem-se e encurtam-se recolhendo a parte inferior da perna e flectindo o joelho. Ao mesmo tempo, relaxam-se os músculos do quadricípete da parte anterior da coxa permitindo a flexão do joelho. A cartilagem e o líquido sinovial reduzem a fricção ao mínimo dentro da articulação do joelho. Cinco ligamentos em volta da articulação ajudam a manter os ossos devidamente alinhados. As bolsas servem de amortecedores entre estruturas como a tíbia e o tendão da rótula.

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